Diagrama do Fluxo Circular

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diagrama do fluxo circular

A figura acima representa o fluxo de renda e de fatores de uma economia. O modelo é simplificado, pois não representa o vazamento causado pelas relações internacionais e a intervenção governamental. Além disso, nos tempos modernos, não se adapta aos fenômenos oriundos das relações financeiras.

O Diagrama do Fluxo Circular é um dos primeiros modelos econômicos apresentados em sala de aula e segue os padrões de tantos outros dos manuais de economia. A simplificação é completamente compreensível, todavia, temerosa quando mal lecionada.

Uma aferição perigosa desse modelo já foi argumentada por alguns textos de graduandos. De acordo com a apresentação do modelo, o fluxo de renda equivaleria ao ao fluxo de fatores e, portanto, nessa perspectiva o a economia representada era estática.

A conclusão parte da impossibilidade desse modelo simples em explicar a reprodução econômica, já que no caso, tudo que é investido é consumido. Basta acompanhar o que diz Mankiw (2010) “As famílias são proprietárias dos fatores de produção e consomem todos os bens e serviços que as empresas produzem” [Pg. 24].

Há de se pensar que nas entrelinhas do processo, estão as decisões das famílias que culminam em demanda e das empresas que originam a oferta. O desequilíbrio momentâneo dessas forças produzirão uma readequação do sistema e revelará que essa economia está longe de ser estática.

Como em toda economia, simples ou não, a produção necessita do processo de alocação. Essa alocação de recursos de todas espécies (financeiros, de fatores de produção e de oportunidade) provocarão a reprodução do sistema.

E dessa alocação e reprodução que comentam Duilio et al. (2011) quando afirmam “Assim, temos na produção o germe da geração de recursos; nas vendas, o germe do uso dos recursos; e nas finanças, a intermediação entre o mundo interno (produtividade) e o mundo externo (a relação entre preços e custos que demarcam sua competitividade). [Pg. 46].

O ponto sensível é o mesmo, os modelos econômicos não têm a pretensão de acolher todos os agregados do universo. A simplificação e abstração imposta aos esquemas não são problemas insanáveis, o perigoso sempre são as aferições imediatas de modelos unicelulares como o do Diagramde de Fluxo Circular.
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Referências
Bêrni, D. de A. [et al.] Mesoeconomia: lições de contabilidade social: a mensuração do esforço produtivo da sociedade. Porto Alegre: Bookman, 2011
Mankiw, N. G. Princípios de Microeconomia, 5ª ed. 2010
Figura retirada no site www.mises.org.br
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Texto referente ao Seminário A simplificação da economia acadêmica e os limites para a vida prática.



Daniel Simões Coelho

Economista, servidor público federal, especialista em gestão pública.

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7 comentários

  1. … DdAB – Duilio de Avila Bêrni, … 07/09/2011 em 11:26

    ei, Daniel:
    o modelo que mostras é o que chamamos lá no livro citado de "movimento pendular", pois ele tem apenas dois polos. o verdadeiro círculo assenta-se num plano que, como sabemos, repousa em três pontos. fora esta brincadeira, o erro aparece ao vermos que não é uma família que vai ao mercado de trabalho: crianças de velhos não o fazem. mas uma família escolhe entre seus membros os que têm talento para alocarem os serviços dos fatores de propriedade da família. então cria-se um polo independente do mercado de bens, o mercado de fatores. mas qual é o mecanismo de remessa da renda por parte dos locatários dos fatores às famílias? (veja que falei em renda e não em produto; os fatores recebem o produto, mas -como mágica- ao tocá-lo com a intenção de enviar às famílias, tornam-no renda). precisamos daquele terceiro mercado: o mercado de arranjos institucionais: vai dinheiro (diferente do produto e despesa, que são "físicos") e vêm os arranjos institucionais (diferentes dos bens e serviços do mercado de bens e diferentes dos serviços dos fatores).
    DdAB

  2. Daniel Simões Coelho 07/09/2011 em 13:19

    Caro Duilio, o que dizer a respeito da inferição da ideia de equivalencia dos fluxos. Os fatores recebem renda e a renda se transformaria em produto. Mas haveria fundamento no argumento de que a renda é inferior ao produto, provocado pela sub avaliação real dos fatores? Enfim, observações complexas para um modelo pendular, como chamou a atenção.

    DSC

  3. … DdAB – Duilio de Avila Bêrni, … 08/09/2011 em 04:13

    penso que seria: os fatores recebem renda, a renda se transforma em despesa e a despesa se transforma em produto. ou melhor (isto não está no livro):
    .a. consideremos a função da produção VP = f(K, L, M), com K sendo o estoque de capital, L sendo o fluxo de mão de obra e M sendo o fluxo de insumos);
    .b. VA – VP – M (ou seja, o valor adicionado "bruto" é a diferença entre a produção e os insumos
    .c. o valor adiciionado é medido por meio de três óticas: produto, renda e despesa
    .d. no caso de .b., não foi dito se é produto ou despesa (obviamente não é renda). se olhamos o modelo de insumo-produto ao longo das colunas (de cima para baixo), vemos o produto; se o olhamos da esquerda para a direita, vemos a despesa).

    por fim, como o negócio (quero dizer, o valor adicionado) é um fluxo, ele ora é produto, ora é renda e ora é despesa. e não sabemos onde começou. como dizes, é possível que tudo comece no mercado de fatores (produtores contratam os serviços dos fatores), o que gera renda, etc.. o velho Marx disse lá naquele famoso prefácio que tudo começa com a produção (mas não com o produto). isto parece evidente. mas não haveria produção caso o produtor não achasse que iria vender o que produz.
    DdAB

  4. Daniel Simões Coelho 08/09/2011 em 19:20

    Compreendido Duilio, aliás me fez pensar que o mesmo modelo poderia ser interpretado de forma diferente dependendo do ponto de vista de onde começa o fluxo. A boa e velha ideologia economica, muito obrigado pelas elucidações.

    DSC

  5. … DdAB – Duilio de Avila Bêrni, … 10/09/2011 em 10:24

    mais um pitaco: e ainda tendo a achar (e tenho certo medo de confessar) que, nesta linha de argumentação, poderemos concluir que quem determina mesmo o valor da produção e seu correspondente valor adicionado (sem falar em preços relativos, apenas aquele negócio de Leontief em que os preços das mercadorias são unitários e as quantidades são "quantidades monetárias"; por exemplo, R$ 34.152 = R$ 1 x 34.152) é o conjunto de agentes que avaliza determinado valor de oferta monetária. em outras palavras, para que a identidade MV = PQ faça sentido, MV significa precisamente esta interpretação de preço unitário e quantidades monetárias (e é uma questão relativamente menor, a esta altura de nossos comentários se estamos falando de "crédito", "valor da produção" ou "valo adicionado". enjoy your weekend.
    DdAB

  6. Dawran Numida 13/04/2012 em 13:24

    Oras, o diagrama é inteligível. Se suscita discussões, é exatamente pelo fato de ser minimamente inteligível.
    Ai, entram as vocações, os preparos, as aplicações, os estudos, a matemática etc.
    Mas, tudo isso acrescenta e não demente o sentido do diagrama.
    Pode ser que para os planos quinquenais da antiga URSS, onde as quantidades eram em toneladas e as decisões centralizadas, o diagrama não tenha qualquer validade.
    Ou mesmo para uma condução voluntarista da economia, como na atual fase do Brasil, onde PIB abaixo da inflação é considerado estabilidade pelo governo.
    Mas, em economias abertas, mesmo que planificadas, porém, menos voluntaristas, pode-se ensinar economia com base nele, sim.

  7. Daniel Simões Coelho 13/04/2012 em 13:42

    De fato. tendo a concordar que mesmo em sua simplicidade, há um amplo espaço para o uso do modelo. Obrigado pelo comentario. Percebi que mudei meu ponto de vista.

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