Recursos Limitados

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No artigo que escrevi para o “dia da ação global”, comentei sobre a incompatibilidade entre o sistema de acumulação capitalista e as políticas de preservação do meio ambiente e proteção contra a degradação dos recursos naturais.

Os recursos são escassos, como sabemos, e esse não é o único problema. Uma alternativa para contornar tais dificuldades é agir para desacelerar o processo de desgaste natural, principalmente via a adoção de tecnologias para utilização de novas fontes. Outra ideia é a adoção de políticas contra a poluição, o desmatamento e a exploração selvagem do solo, da água, da fauna e da flora.

Tentei deixar claro que essas atitudes não são gratuitas e que nenhum governo ou empresa estão dispostos a pagar a conta. Principalmente porque o possível resultado será visível em longo prazo, além de muitos nem acreditarem que as catástrofes anunciadas irão ocorrer.

Os ambientalistas ou mesmo aqueles que vestem a bandeira das causas do planeta, seja membro do Greenpeace ou não, se irritam ao saber que a verdade nua e crua é que preservar a natureza não é um bom investimento. Pelo menos, os retornos na maioria das vezes não são testemunháveis em vida.

Mas o que dizer do trabalhador, da parte fraca dos laços econômicos capitalistas? Por que imputar tão grandes desafios aos empresários e ao governo e esquecer-se da responsabilidade de cada um. Esse indivíduo precisa viver de alguma forma, em alguns casos, essa forma é destruindo a natureza. Surge o desafio: O que pesa mais a questão social ou ambiental?

Vai explicar para o pescador que uma determinada região é reserva ambiental, que a pesca de determinado peixe ou qualquer outro fruto do mar está proibida. Mesmo que ele entenda que isso é bom para a reprodução da espécie, o pescador sabe que ele também precisa sobreviver.

Diga para o trabalhador da Amazônia Legal que a exploração de madeira ali encontrada é crime. Desconhece o cidadão as leis do país? De modo algum, só que a dor da fome fala mais alto. Ninguém pode condenar o trabalhador e julgá-lo criminoso, essa é sua única forma de sobrevida. E assim como os demais, também não está disposto a pagar a conta da degradação ambiental.

Quem pesa mais? Nem o social, nem o ambiental, mas o econômico…

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Daniel Simões Coelho

Economista, servidor público federal, especialista em gestão pública.

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Contato: http://academiaeconomica.com/contato

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