Discriminação de Preços no Brasil

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Os manuais de microeconomia ensinam que no modelo de monopólio o empresário pode adotar 3 tipos de discriminação de preços. Na discriminação de preço de primeiro grau, cobra-se para cada consumidor um preço diferente, equivalente ao preço de reserva de cada indivíduo, ou o máximo que ele estaria disposto a pagar pelo produto. Em outras palavras é como se o monopolista pudesse “entrar na cabeça” de cada consumidor e descobrir quanto ele estaria disposto a pagar. Essa, segundo os manuais, seria a única maneira de encontrarmos o Ótimo de Pareto em uma estrutura monopólica.

A discriminação de segundo grau baseia-se na cobrança de preços diferentes de acordo com a quantidade consumida. Um bom exemplo são as tarifas de energia elétrica, onde o valor é calculado a partir do consumo de cada residência. Segundo os manuais, essa prática aumenta o bem-estar do consumidor e aufere maiores lucros para os empresários.

Por fim, a discriminação de preços de terceiro grau divide os consumidores em dois ou mais mercados. Cada grupo com a sua própria função de demanda, são exemplos as tarifas aéreas, os ingressos de meia-entrada para estudantes e idosos. Essa é a discriminação mais comum, se o empresário puder dividir seus mercados consumidores, cada um possuirá curvas de demandas com elasticidades diferentes e cobrará um preço maior para o de menor elasticidade.

Utilizando o exemplo dos ingressos, podemos imaginar que os estudantes são agentes com menor renda, são dependentes e, portanto mais sensíveis às variações de preços. Atualmente este exemplo deixou de ser apenas estratégia de uma empresa, monopolista ou não, tornando-se obrigação conforme a lei de diversos paises.

Além dessa distorção, no Brasil a discriminação de preços perdeu seu objetivo, ou pelo menos não é tão eficiente como é apresentado no modelo. Atualmente não é nada difícil entrar em um cinema, por exemplo, pagando metade do valor do ingresso. Seja através da falsificação das carteirinhas ou por outros métodos, o “jeitinho brasileiro” sempre permite que alguns se beneficiem. O resultado disso, creio eu, é que as empresas continuam dividindo seus mercado, porém com valores maiores do que deveriam se as coisas funcionassem corretamente.

Pensando além, observemos o caso das empresas de ônibus, que disponibilizam passes pela metade da tarifa, este é um exemplo mais peculiar devido à legislação que este setor é regido, mas no serve como um exemplo de como as leis da economia podem ser burladas. Existe um controle muito mais rígido para estudantes do que em um cinema, mas a evasão de receitas é bem maior. Além da conhecida prática de pular as catracas ou qualquer método de não pagar a tarifa, agem as forças revolucionárias em pró do passe livre. Isento-me aqui das discussões ideológicas, filosóficas, sociológicas e etc. O que resulta é um mercado, aqui de passageiros, cada vez mais reduzido, se considerarmos os pagantes. Aqui os empresários enfrentam um dilema, como recuperar suas receitas sem aumentar o preço das passagens.

Agora os hotéis e ônibus rodoviários entram nessa complicada relação entre os bons clientes e os dos jeitinhos tupiniquins, a diferença que a novidade é para os cidadãos da terceira idade, a esperança é que as coisas ocorram de modo diferente, até porque não é fácil disfarçar a idade desejando parecer mais velho, mesmo sendo possível, algumas pessoas nem gostam de pensar na idéia.



Daniel Simões Coelho

Economista, servidor público federal, especialista em gestão pública.

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2 comentários

  1. Daniel Simões Coelho 20/04/2013 em 14:03

    Já o sigo ;)

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