Instrumentos monetários

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O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, por unanimidade, elevar a taxa básica de juros (Selic) de 25,5% para 26,5%. Ao mesmo tempo, também aumentou a alíquota do depósito compulsório sobre os depósitos à vista nos bancos de 45% para 60%. A Selic ficará em vigor durante os próximos 30 dias.

A justificativa dos membros do Copom para o aumento, divulgada em nota oficial na sede do Banco Central, em Brasília, é a seguinte: “A inflação mostra sinais de resistência e, diante disso, o Copom decidiu por unanimidade elevar a taxa Selic para 26,5% ao ano”. Levantamento semanal realizado pelo Banco Central com 76 bancos e consultorias econômicas aponta para uma expectativa de 11,9% de inflação em 2003, enquanto a meta do governo é chegar ao fim do ano com o índice em 8,5% e 5,5% em 2004.

Matéria divulgada pelo site Globo On-line em 19/02/2003

A taxa de juros e o depósito compulsório são um dos instrumentos monetários de controle de inflação. A elevação dessas duas variáveis básicas tem como objetivo reduzir a liquidez do sistema. Esse ajuste, porém, reflete em outras variáveis da economia, seja de maneira direta ou de forma indireta.

Aumentando os juros, os títulos públicos tornam se mais atraentes. Emitindo mais títulos, o governo consegue reduzir o volume de dinheiro da economia. Com o aumento, é possível perceber um acréscimo dos juros bancários tornando mais caros os empréstimos e financiamentos.

A taxa básica de juros não afeta diretamente no nível de investimento, isso porque no Brasil os investimentos são financiados pelos BNDES que utiliza as TJLPs (taxa de juros de longo prazo).

Aumentando a alíquota do depósito compulsório, o governo pretende reduzir o poder de financiamento dos bancos comerciais. Os bancos com estoques reduzidos acabam elevando ainda mais as suas taxas de juros. A intenção é reduzir os investimentos e a demanda por bens e serviços em geral.

Mais uma vez, temos efeitos que se somam. Com títulos mais atraentes devido ao aumento dos juros, as instituições financeiras podem preferir aplicar nesses papeis a emprestar a juros possivelmente menores. Por isso, os bancos cobram a taxa básica mais um spread.

Uma importante conseqüência da elevação dos juros é o aumento da capacidade de atrair capital externo. Essa elevação de um ponto percentual da taxa básica reflete em uma significativa entrada de capitais estrangeiros para o Brasil, que por sua vez provoca um saldo positivo na Conta de Capital do Balanço de Pagamento.

Esse afluxo provoca o aumento da oferta de moedas estrangeiras, principalmente dólar, como conseqüência há uma redução da taxa de cambio no país. Com a moeda nacional sobrevalorizada as importações são estimuladas em detrimento das exportações. Esse cenário poderá provocar um déficit na balança comercial e consequentemente um saldo negativo na Conta Corrente.

Diretamente essas medidas não interferem nos níveis de produção e emprego, a menos que essa conjuntura seja a mesma em longo prazo, ou que já venha ocorrendo há alguns períodos. Com encarecimento dos empréstimos pode se verificar uma redução na demanda dos agentes, seja para consumo ou para investimento – respeitando as variáveis que interferem em tais decisões.

Nesse aspecto, com financiamentos mais caros e consumo reduzido, os níveis de produção não aumentam ou ate mesmo reduzem. Da mesma forma, não há abertura de novos postos de trabalho e pode haver um aumento dos níveis de desemprego.



Daniel Simões Coelho

Economista, servidor público federal, especialista em gestão pública.

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