PATOCRACIA

patologia

Gustavo Miquelin Fernandes

Não sei se há uma falácia chamada “apelo ao patológico”. Deve haver.

“Neste sentido, numa discussão, quando se quer arguir a negatividade ou desacerto de tal ou qual teoria, ressalta-se seus contornos doentios.

A regra não pode mais ser aplicada, indiscriminadamente. Pelo menos no presente caso, que, em última instância, trata da “patocracia”.

Andrew M. Lobaczewski, um psiquiatra polonês, estudou a fundo, através da “Ponerologia Política”, a citada patocracia, onde as causa das injustiças sociais são, de alguma forma, imputadas a psicopatas que ascendem ao Poder.

Conceitua patocracia como enfermidade mesmo, que nasce e se expande dentro de uma nação, criando novas elites de poder.

Veja:

“La Patocracia es una enfermedad de grandes movimientos sociales, seguidos por sociedades enteras, naciones e imperios. En el curso de la historia humana, ha afectado a movimientos sociales, políticos y religiosos, así como a las ideologías que los acompañan… convirtiéndolas en caricaturas de ellos mismos… Esto ocurrió como resultado de la … participación de agentes patológicos en un similar proceso patodinámico.

Eso explica porqué todas las patrocacias en el mundo son y han sido tan similares en sus problemas esenciales.

…Identificando este fenómeno a través de la historia, y calificándolo de acuerdo a su verdadera naturaleza y contenidos – no de acuerdo a la ideología en cuestión, (la cual sucumbió al proceso de caricaturización) – es una labor para historiadores. […]

Las acciones [de la patocracia] afectan a una sociedad entera, comenzando con los líderes, infiltrando toda ciudad, negocio e institución. La estructura social patológica gradualmente cubre el país entero, creando una “nueva clase” dentro de esa nación.

Esta clase privilegiada [de patócratas], se siente permanentemente amenazada por los “otros”, es decir por la mayoría de la gente normal. Los patócratas tampoco entretienen ninguna ilusión acerca de su destino personal, de haber un retorno al sistema del hombre normal.” – Andrew M. Lobaczewski. -Political Ponerology: A science on the nature of evil adjusted for political purposes; Ponerología Política: Una ciencia sobre la naturaleza de mal ajustada para propósitos políticos).

Assim, a patrocracia, num primeiro momento, pode ser definida como sistema de governo administrado por uma elite patológica que usa o Poder para administrar  autoritariamente uma sociedade de pessoas normais de modo pervertido, com desrepeito aos direitos humanos, corrupção, confusão entre partidos, Estado e Governo, visando sempre a objetivos hediondos.

A psicopatia como forma de compleição caracteriológica, ou estado de ser da pessoa, não pode ser considerada doença psiquiátrica ou mental. Psicopatia é um estado de ver, sentir, e agir no mundo.

Na clínica médica normal, psicopata ou sociopata é a pessoa que não possui empatia ou noção de alteridade (não se põe no lugar do outro). São manipuladores, perversos, mas não perdem o contato com a realidade (não sofrem delírios ou alucinações), insensíveis à dor alheia, egoístas, e desprovidos do sentimento de culpa. São sempre atraídos pelo prazer a todo custo, posições de destaque e capazes de atos realmente hediondos, cruéis, com muita frieza e usando de muita estratégia para conseguirem seus fins. São, em suma, indivíduos perversos e perigosos, que não se importam com a destruição do próximo, se isto for necessário para alcançarem seus objetivos.

Ressalte-se que tais elementos ou personalidades sentem-se, sobremaneira, atraídos por posições de destaque, onde o vínculo e a proximidade com o Poder são bastante facilitados.

Indivíduos desta estirpe são, frequentemente, alçados às estruturas máximas de Poder. Desta forma, o comando de grupos, sociedade, nações, etc. são chamarizes para tais indivíduos em razão do imenso fascínio que essas organizações sugerem e proporcionam.

O Poder como forma de ação coativa da sociedade é recurso bastante eficiente para psicopatas exercerem-no em benefício de uma auto-realização hedionda, resultando num sacrifício coletivo incalculável e, não raro, morticida.

Desta forma, estes são os estereótipos patocráticos, burocratas que podem comandar pessoalmente o destino e a morte de milhões de indivíduos e quedas espetaculares de civilizações.

Não se pode, outrossim, confundir o comum como o normal, vale dizer.

Assim, um grande perigo reside no empobrecimento geral da literatura, da cultura, por meio da ocupação plena de todos os espaços, por via do preenchimento total da sociedade por conotações ideológicas; a manipulação da imprensa; a doutrinação ideológica nas escolas públicas e privadas; o uso indiscriminado do dinheiro público (sem controle, sem prestação de contas, em benefício de grupos seletos) que pela formação patrimonialista, hiper-arrecadória e supostamente wellfarista do Estado, facilitam sobremaneira os meios de ação e, por último, a disseminação geral da ideologia (aqui usada no sentido de “valor imanente perpetuador do discurso oficial”).

O Poder e os poderosos vão doentes – e não é de hoje. Venezuela, Rússia, Argentina, Córeia são campos abertos para estudos.

Na casuística brasileira, o que ocorreu quando isolamos, temporariamente, certos figurões, da fonte que os abrigava e que enxergavam-se jungidos a ela como unidade indivisível, verdadeiros missionários que não poderiam, em nenhuma hipótese, serem alijados daquele projeto que cultuavam?

Observem a reação.

Delirium Tremens, é umtermo médico que sugere uma condição psiquiátrica, orgânico-psicótico-reativa que causa, basicamente, confusão mental. Verdadeira síndrome de abstinência.

Observem a reação do organismo social quando meliantes foram temporariamente presos por comandarem estruturas delituosas ligadas à macrodelinquência, em esquema de compra de votos parlamentares. Observem a reação desproporcional e psicótica do organismo social e, agora, institucional.

Com a contaminação psicótica da República, antes circunscrita a certos meios de comunicação, círculos intelectuais e pequenas rodas, agora atinge o cerne da estrutura constitucional.

A doença psicótica que faz um povo interpretar criminosos vulgares em heróis;  que faz juristas e técnicos do Direito usarem de um sagrado arcabouço garantista como arma ideológica e instrumentos a favor do grupo estabelecido (establishment) e outras alucinações. É um elemento importante de um quadro de perturbação do organismo social.

É a psicopatia política em seu grau pandêmico. Macropsicopatia. O diagnóstico, o prognóstico são dificílimos, imperioso dizer. A terapêutica é confusa, não segura, indefinida e bastante limitada. A guerra contra os psicopatas está em franco progresso.

O simples vislumbre deste quadro é tachado de acesso paranóico pelos próprios agentes de comprometimento e da dileceração democrática. Ou seja, cumprindo com o totalitarismo típico das modernas ditaduras (aparentemente democráticas), o pensar ou refletir é totalmente defeso, proibido e caricaturado.

Não é a da falta de encarceramento destes elementos que preocupa. Isto, embora venha cumprir um mandamento institucional indeclinável, é de somenos importância. O substrato destas vacilações orgânicas que realmente preocupam.

Agentes públicos transformados em abertos defensores de desvios éticos; jornalistas, em porta-vozes oficias; professores, em “intelectuais orgânicos”; alunos, que deveriam se esforçar para aprender primeiramente, em militantes vulgares.

Esta elite psocpática que age tendo em vista não o  bem-comum e o exercício da Política para o bem de todos os indivíduos, mas interesses pessoais e desviados da ética, da ordem, da democracia, e da liberdade.

Algumas caraterísticas desta forma particular de ação e governo podem ser citadas, segundo o Pathocracy Blog (http://pathocracy.wordpress.com):

1. Supressão do individualismo e criatividade;
2. Empobrecimento dos valores artísticos;
3. empobrecimento dos valores morais; uma estrutura social baseada na auto- interesse e uma superioridade , ao invés de altruísmo;
4. Ideologia fanática;
5. Intolerância e suspeita de quem é diferente, ou que não concorda com o Estado.
6. Controle centralizado;
7. Corrupção Generalizada;
8. Atividades secretas dentro do governo;
9. Governo paranóico e reacionário.
10. Legislação arbitrária, injusta e inflexível excessiva; poder de tomada de decisão é reduzido/removido da vida quotidiana dos cidadãos;
11. Uma atitude de hipocrisia e desprezo demonstrado pelas ações da classe dominante para com os ideais que afirmam seguir e para com os cidadãos que dizem representar;
12. Mídia controlada dominada pela propaganda;
13. Extrema desigualdade entre os mais ricos e os mais pobres;
14. Uso endêmica de raciocínio psicológico corrompido;
15. Governo pela força;
16. As pessoas são consideradas como um “recurso” a ser explorado e não como indivíduos com valor humano intrínseco;
17. Vida espiritual é restrita a esquemas inflexíveis. Qualquer tentativa de ir além desses limites é considerado uma heresia ou insanidade e, portanto, perigosa;
18. Divisões arbitrárias na população (classe, etnia, credo) estão inflamadas em conflito um com o outro;
19. Supressão da liberdade de expressão;
20. Violação dos direitos humanos básicos, restrição ou negação das necessidades básicas da vida como alimentos, água, abrigo; detenção sem acusação; tortura e abuso; trabalho escravo.

A sociedade não pode permanecer ignorando este processo em curso; ignorando que o Poder que não seja exercido democraticamente (do povo, pelo povo e para o povo) com leis isonômicas e fortes, transparentes e com instituições sadias, pode cair em mãos erradas, por exemplo, de governantes incluídos nesta categoria aqui tratada. A vítima, como sempre, será o povo.

Segundo estatísticas, 4% (há estudos que falam em 1%) da população são psicopatas; porém, somos ainda a maioria e podemos fazer algo. E a conscientização não é pouca coisa. É um bom passo dado.

Dizem que o Poder corrompe, segundo Lord Acton.

Discordo parcialmente. Há há indivíduos que corrompem o Poder.


Nunca antes na história deste país!

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Essa talvez seja uma das frases mais conhecidas no Brasil, sempre falada por Lula quando queria enaltecer o seu governo, as obras e avanços que ele dizia terem sido conquistadas devido à sua chegada ao poder.

É bom lembrar que, nesses anos em que o Brasil tem sido governado pelo PT, o país tem sofrido uma extrema deterioração na reputação de várias instituições públicas que possuíam excelente reputação por terem profissionais de altíssima qualidade em seus quadros técnicos, mas devido ao loteamento de cargos e a interferência direta do governo no comando dessas instituições as mesmas acabaram perdendo sua independência e isso tem afetado diretamente na qualidade gerando inúmeras notícias negativas e trazendo a perda de sua credibilidade, como aconteceu com o IPEA e mais recentemente com o IBGE.

A Petrobras, sempre anunciada pelo PT como motivo de orgulho para os brasileiros, perdeu sua posição entre as maiores e mais respeitadas empresas do mundo, foi uma das vitimas do PT que usa a empresa entregando cargos para atrair apoio a partidos que fazem parte do seu projeto de poder e com isso a empresa se tornou mais uma de suas vitimas, mesmo que o PT até hoje diga que a empresa tem sido melhor administrada pelo PT e seus aliados já que no tempo do PSDB eles queriam privatizar a empresa, o que vemos é que a história é bem diferente da contada e no cenário atual o que se pode constatar é que esses anos de PT fizeram muito mal a empresa que hoje se encontra afundada em escândalos como a compra da Refinaria de Pasadena, que é um caso grave de erro de gestão e que trouxe um prejuízo bilionário ao caixa da empresa, mas esse não é o primeiro caso já que existem outros casos, como o caso da Refinaria de Abreu e Lima, em Pernambuco, que será alvo de uma nova frente de investigação no Tribunal de Contas da União (TCU) e os atrasos nas obras do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) e ainda a empresa tem sua capacidade de realizar investimentos sendo reduzida devido o alto endividamento pelo governo fazer controle de preços da gasolina para não ter impactos na inflação.

Tenho que terminar esse pequeno texto fazendo uma infeliz constatação que o Lula estava certo, pois desde que o PT chegou ao poder Nunca antes na história desse país existiram tantos casos de corrupção, de má gestão, de loteamento de cargos públicos e o mais lamentável é que isso além de ser combatido o que existe é uma verdadeira inversão de valores e muitos acabam saindo, mas também acabam sendo considerados injustiçados e outros são defendidos já que fizeram em nome da uma causa maior que é trazer melhorias para o povo, mesmo que a corrupção seja uma das causas principais da situação horrível em que se encontram a educação, saúde, segurança e infraestrutura do país que acaba perdendo capacidade de fazer investimentos devido os recursos que sempre acabam sendo desviados da sua finalidade e servindo para a manutenção da aliança nesse projeto megalomaníaco de poder do PT aqui no Brasil.


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Postagens da Semana 11

Como teremos um feriado prolongado pela frente, e nós merecemos um folga também. As postagens da semana foram antecipadas, enjoy it!

postagens

Em defesa da desigualdade social

O que tudo isso tem a ver com desigualdade social? Ora, esses indivíduos estão buscando obter maiores lucros, remunerações, ganhos, etc. E são recompensados por isso através da meritocracia. A desigualdade social surge como um efeito natural da concorrência no mercado, seja entre empresários, ou empregados. Uma empresa deseja sempre obter maior fatia do mercado que a outra, ser líder, enquanto os trabalhadores buscam aumentar os próprios ganhos e, em alguns casos, possuem metas como supervisão, gerência, diretoria, etc.

Clube Farroupilha

Quatro Concepções Históricas do Direito Natural

Este trabalho de tradução procura compartilhar mais uma série de escritos do jovem Aurélien Biteau, um recolho de artigos tratando, novamente, sobre o conceito de direito natural. O texto se dá por objetivo apresentar as quatro concepções históricas do direito natural, suas origens, seus fundamentos, e as ligações que existem entre elas. Aurélien realiza uma exploração introdutória da concepção clássica do direito natural

Mateus Bernadino

Libertários devem prestar concursos públicos

A esquerda perde essa massa de manobra e o sindicalismo, que serve muito bem aos donos do poder, leva um duro golpe. Podemos tornar os efeitos das greves insignificantes e até minar o poder dela, ou seja, chega de aumentos de salário, benefícios, etc, para todos, independentemente da qualidade do trabalho de cada profissional.

Blog do Roberto Lacerda Barricelli

Contra Consta

Rodrigo Constantino, autointitulado “liberal sem medo da polêmica”, não achou o caso digno de nota. Nenhum texto, dentre as dezenas de artigos sofríveis publicados diariamente em seu blog no site da revista Veja, tratou do caso. Na verdade, um tratou, incidentalmente. O Trovão da Razão decidiu fazer um texto criticando parágrafo a parágrafo o meu, que, segundo ele, era “sensacionalista” e mostrava que “alguns ‘libertários’ mais parecem comunistas”.

Mercado Popular

Sonegar imposto é errado? Nem sempre. No Brasil, é legítima defesa.

Sonegação, pela lei, é crime. A imprensa, todos os dias, dá-nos notícias e mais notícias sobre gente sendo presa por esconder o quinhão ”do povo”. E a mesma imprensa, todos os dias, dá-nos testemunho da eficiência implacável do governo em detectar e perseguir aqueles que sonegam. A imprensa noticia os casos, os âncoras de jornal fazem cara de reprovação e os colunistas eventualmente debatem o tamanho da carga tributária.

Mercado Popular


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O otário economista

Antes de adentrar ao tema principal desta postagem, deixo registrado duas opiniões: Primeiro, não gosto do termo otário. De acordo com o dicionário, o termo é designado para pessoas ingênuas e que se deixam enganar facilmente. Não creio que as críticas feitas pelo site Canal do Otário sejam típicas de pessoas ingênuas, mas de pessoas com pouca informação, que são coisas distintas; segundo, defendo a importância do conhecimento dos fundamentos em economia. De modo recorrente vejo críticas de muitos cidadãos feitas com desconhecimentos de princípios básicos.

Devo afirmar que gosto muito do site, que em tom bem humorado, faz críticas relevantes a marcas e instituições muito conhecidas em nosso país. Trato agora do caso Nestlé, que você pode visualizar nesse link. O comentário feito é interessante e o caso que o Canal apresenta é curioso.

Uma das mais famosas lições de economia é a lei da oferta e da demanda:

Oferta e Demanda e as corridas de táxis

Dedução da curva de demanda individual

O que é demanda?

otário

Assim, quanto maior a demanda por um bem, maior será o seu preço. A demanda por um bem é estabelecida através das preferências do consumidor. O preço do ovo de páscoa pesando 500g é R$ 49,99 e uma barra de chocolate é de R$ 2,50. Segundo a imagem postada, pela proporção, o ovo de páscoa deveria custar R$ 7,50. E por que isso é uma afirmação absolutamente incorreta?

Veja, o que faz você comprar ovos de páscoa na páscoa e não em outras épocas do ano? Simples, porque as pessoas associaram o produto com a época. Evidentemente que aqui não há espaço para discutir o verdadeiro sentido da páscoa ou da argumentação de que tudo isso foi inventado pelo capitalismo para vender produtos. O que importa saber é que as pessoas preferem ovos de páscoa na páscoa e preferem comprar ovos de páscoa no lugar de simples barras de chocolate. É então aí que a magia acontece, se os preços são elevados é porque pessoas compram. Eles mesmos quase chegaram a essa conclusão:

O boicote é a arma mais eficiente que o consumidor possui a sua disposição, já que, ao deixar de comprar um produto, a empresa tem duas opções: diminuir sua margem de lucro (pressionando tb o governo a reduzir os impostos), ou quebrar. E se ela quebrar, surge oportunidade para outra empresa surgir, mais moderna, eficiente e com preços melhores… simples assim!

O canal critica o abuso da empresa, oras meus queridos otários, se a empresa vende e alguém compra, onde está o abuso? Não poderíamos concluir que as empresas que cobram mais caro em lugares mais próximos dos palcos de shows estariam abusando dos seus consumidores? Afinal, não é o mesmo show? Se o lugar na fila 3 é R$ 50,00, na fila 2 R$ 100,00, então, o lugar na fila 1 deve ser R$ 150,00? Por que não R$ 500,00 ou 500.000,00. Se a empresa estipula esse preço é porque alguém está disposto a pagar.

O problema da mentalidade de muitos brasileiros é tratar as empresas como demônios a serem expulsos de nossa sociedade. Ninguém está colocando uma arma na sua cabeça para comprar um ovo de chocolate. Se o preço de uma determinada marca é muito elevado, escolha outra que caiba em seu orçamento. Provavelmente, nem ocorrerá o que o Canal sugere, a empresa não irá quebrar, pois sempre existirá alguém disposto a pagar o preço proposto. Essa é, repito, a magia do mercado.

Essa mentalidade tacanha nos direciona aos momentos vividos pelos nossos vizinhos e outros países em outras épocas da história. Quando indivíduos segurando a bandeira da luta contra empresas exploradoras, levam a sociedade a uma economia planificada, onde a instituição benevolente decide o que é ou o que não é justo. O resultado todos nós sabemos, caso não, eu lhes digo, a tragédia de toda a economia.

De acordo com os otários, ainda, uma redução dos preços leva a uma redução dos impostos pelo governo. Definitivamente, não sei de onde eles conseguiram chegar a essa conclusão. Se dissessem que a receita com impostos reduziria tendo em vista a redução da margem de lucro, poderia inclinar-me e deixar o comentário para lá. De todo o modo, a argumentação revela a ignorância de como o mercado funciona. Talvez, eles creiam que o governo através da redução de impostos estimule o consumo dos ovos de chocolate, mas o problema sequer era esse. Se os preços reduzirem na magnitude que o governo reduz impostos a margem de lucro poderia nem ser afetada.

Por fim, no mesmo trecho citado acima eles concluem que, caso a empresa quebre pelo boicote, outras surgirão, mais modernas, eficientes e com menores preços. Por quê? O preço elevado dos ovos de páscoa não estão associados a elevados custos de produção, pelo menos não é o que parece ser o caso. Assim, não há que se falar em eficiência, e dizer que uma mega empresa como a Nestlé é ineficiente é brincadeira, não é mesmo? Eficiente é quem, a tia Zumira que vende chocolate caseiro na esquina da rua? E nada garante que a nova empresa não venda seus produtos a um valor mais alto ou sequer surja outra empresa, quem decidirá isso, adivinhem: é o mercado!


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Sobre aviões e a sociedade

Sobre aviões e a sociedade

aviões

A despeito de toda a comodidade que uma viagem de avião pode proporcionar, simplesmente odeio viajar de avião. Amo viajar, mas odeio a sensação de estar em uma máquina que pesa toneladas voando a quilômetros de altura. Nesses momentos, a minha racionalidade e meu pouco conhecimento de física mandam abraço e desaparecem.

De qualquer modo, sempre que estou sozinho em algum lugar, costumo observar o comportamento das pessoas em volta. E depois de tantas viagens, conclui que poucas situações cotidianas podem mostrar de modo tão claro a incapacidade das pessoas em seguir regras.

Como passageiro, você precisa seguir algumas regras. Essas regras são importante, pois são responsáveis em separar uma viagem segura de algo catastrófico. Da série de procedimentos que somos obrigados a nos submeter do momento em que realizamos o check in até o momento que recolhemos nossa bagagem na esteira, cada passo possui uma justificativa para seu cumprimento.

Do mesmo modo, o descumprimento de algum comando pode significar um simples desvio de conduta ou mesmo levar todos os passageiros a uma situação de grave risco.
Em uma situação de turbulência, o sinal de aviso de atar cintos é acionado. Por quê? Com a aeronave balançando freneticamente, qualquer um que se ponha de pé ou que fique sentado sem os cintos de segurança pode se machucar.

Ainda assim, não é incomum que muitas pessoas desobedeçam tal procedimento, obrigando a comissária desnecessariamente repetir o comando através do som do avião. Já embarquei em aeronaves em que a pobre funcionária teve que repetir o aviso ao menos três vezes em um intervalo de dez minutos.

Uma regra como essa existe por uma finalidade, nesse caso, para a segurança do passageiro. Se o passageiro descumpre esse comando, terá que arcar com as consequências que poderá advir. Seria então um direito do passageiro em descumprir a regra se ele está disposto a arcar com as consequências que talvez nem venha a ocorrer? A resposta é um não com ênfase.

Ao se desequilibrar nos corredores da aeronave o passageiro pode não somente se machucar como causar danos a outros passageiros, os mesmos que ao contrário do primeiro, aceitaram respeitar as regras colocadas. Seria justo, se é que podemos chamar assim, que aqueles que decidiram respeitar normas para a sua segurança sejam prejudicados por outros indivíduos que não seguem tais normas?

Ainda que o passageiro descumpridor da norma venha a se acidentar e mesmo assim não machuque nenhuma outra pessoa, o mesmo dificilmente vai arcar com as consequências do acidente. É simples concordar que o mesmo encontrará uma forma de obter algum tipo de indenização por parte da companhia aérea. Seria justo obrigar a empresa pagar por um acidente que poderia ter sido evitado pelo passageiro se ele cumprisse as normas previamente informadas de modo exaustivo e entediante pelos comissários?

Existe um grupo em ascensão promovendo a desobediência em relação às resoluções do império estatal, pois a liberdade individual não deve ser obstruída por qualquer tipo de regulamentação. Ainda que sejamos contrários a coercibilidade empregada pelo Estado, não podemos, de modo algum, sugerir que o indivíduo livre deve ser despido de toda obrigação em seguir determinadas regras. As regras existem para que seja possível um convívio em sociedade, elas devem fundamentar-se na proteção de direitos individuais fazendo surgir, então, os deveres.

Usando o mesmo raciocínio, as regras devem vir acompanhadas de sanções, mesmo que não sejam aplicadas por uma instituição como o Estado. Podem ser culturais e configuradas através da razão coletiva de todos os indivíduos. Não há como construir regras que agradem a todos os membros de um grupo, mas viver sem elas é conduzir o mesmo grupo ao fracasso.

Ainda usando a alusão ao comportamento das pessoas nas aeronaves, nos questionamos sobre dois outros aspectos. Primeiro, o que esperar de indivíduos que com o tempo se tornaram incapazes de seguir simples comandos? Como acreditar que esses mesmos seguirão regras consuetudinárias com fim da existência de um Estado opressor? Em segundo lugar, as pessoas estão sempre buscando seus direitos e exigindo que o terceiro cumpra seus deveres. Fácil obrigar o outro a usar os cintos quando você mesmo não o faz e ainda que não o faça, as outras pessoas são obrigadas a te lembrar de seu dever, pois do contrário a culpa é delas.

Enfim, enquanto não compreendermos o verdadeiro sentido intrínseco nas definições de direito e dever, liberdade e consequência, a sociedade livre vai continuar sendo o que ela é hoje, uma utopia.


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